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Meu studio é HIS ou HMP: o que dá para fazer com ele em 2026 (e o que não dá)

Short stay está proibido nessas unidades. Os tetos de 2026, como confirmar a classificação do studio e o que muda na reforma para long stay, moradia ou venda.

Autor: Thiago Dantas, arquiteto e urbanista (CAU A162437-7), responsável técnico da Bewild · Revisão editorial: Pedro Alves, engenheiro civil (USP), cofundador e CEO da Bewild

Se o seu studio é HIS ou HMP, ele não pode operar short stay: em São Paulo, os decretos 63.130/24 e 64.244/25 proíbem a locação por temporada nessas unidades, e o Airbnb começou a remover 1.625 anúncios delas em agosto de 2026. O imóvel continua tendo três usos legais — alugar por longa duração a uma família dentro da faixa de renda (com aluguel de até 30% do teto da faixa: R$ 1.458,90 no HIS-1, R$ 2.917,80 no HIS-2 e R$ 4.863,00 no HMP, pelos valores de 2026), morar nele (se você se enquadra na renda) ou vender dentro do teto de preço a um comprador enquadrado, enquanto durar a vinculação de 10 anos.

Este guia explica como confirmar a classificação do seu studio, o que cada caminho exige e o que muda na reforma em cada um.

O que são HIS-1, HIS-2 e HMP?

São categorias de habitação criadas pelo Plano Diretor Estratégico de São Paulo (Lei 16.050/2014). A incorporadora ganha incentivos urbanísticos para construir e, em troca, a unidade fica vinculada a uma faixa de renda, a um teto de preço e a regras de uso. Os valores são atualizados todo ano pela Prefeitura; os de 2026 vieram no Decreto 64.895/2026.

Categoria Renda familiar mensal (2026) Teto de venda (2026) Aluguel máximo por mês (30% do teto da faixa) Short stay
HIS-1 até R$ 4.863,00 (3 salários mínimos) R$ 276.102,20 R$ 1.458,90 proibido
HIS-2 até R$ 9.726,00 (6 salários mínimos) R$ 383.636,74 R$ 2.917,80 proibido
HMP até R$ 16.210,00 (10 salários mínimos) R$ 537.672,71 R$ 4.863,00 proibido
R2V (mercado) sem limite sem limite livre depende da convenção do condomínio

A vinculação dura 10 anos, contados da primeira venda da unidade ou da emissão do Habite-se. Depois disso, a unidade passa a ser livre para vender, alugar ou usar como qualquer outro apartamento.

Como confirmo se o meu studio é HIS ou HMP?

A classificação é por unidade, não pelo prédio: no mesmo empreendimento convivem apartamentos HIS, HMP e de mercado (R2V). Quatro lugares mostram o enquadramento:

  1. Matrícula do imóvel: a destinação HIS ou HMP é averbada na matrícula da unidade, com a advertência sobre as regras do Plano Diretor.
  2. Memorial de incorporação e Habite-se: registram quantas unidades de cada categoria o prédio tem e quais são.
  3. Placas do empreendimento: a Prefeitura exige placas informando o enquadramento das unidades, as faixas de renda atendidas e as regras.
  4. Cadastro no Portal de Licenciamento da Prefeitura, que mantém o registro dos empreendimentos HIS e HMP.

Se você está comprando, peça por escrito à incorporadora ou ao vendedor a classificação da unidade específica e confira na matrícula antes de assinar. Preço bem abaixo do mercado da região é o primeiro sinal de que a unidade pode ser vinculada.

O que é proibido e o que acontece se eu descumprir?

Três coisas estão vedadas em uma unidade HIS ou HMP durante a vinculação: locação por temporada (short stay, em qualquer plataforma), cessão gratuita (comodato) e venda ou aluguel para quem não comprova renda dentro da faixa. Também não vale assembleia de condomínio "liberando" o Airbnb — em novembro de 2025 a Justiça suspendeu uma assembleia que tentou autorizar a curta temporada em unidades HMP.

A fiscalização mudou de patamar em 2025 e 2026. O Decreto 64.244/25 transferiu para as incorporadoras a obrigação de comprovar e guardar a documentação de renda dos compradores e inquilinos, criou uma plataforma digital de controle e previu a devolução dos incentivos com correção e multa quando a destinação é desviada; quem compra fora das regras é tratado como adquirente irregular, com devolução do benefício urbanístico acrescida de multa. Na ponta das plataformas, a Secretaria Municipal de Habitação enviou ao Airbnb uma lista de 62.812 unidades HIS e HMP, e a remoção de 1.625 anúncios (773 ativos e 852 inativos) começou em agosto de 2026. A Prefeitura acompanha 1.054 empreendimentos com 264.799 unidades desse tipo.

Caminho 1: alugar por longa duração

É o caminho mais comum para quem comprou pensando em renda. As regras: o inquilino precisa comprovar renda familiar dentro da faixa da unidade; o aluguel não pode passar de 30% do teto de renda daquela faixa; o contrato é de locação residencial, com a averbação exigida pela Prefeitura. Em 2026 isso significa, no máximo, R$ 4.863 por mês em um HMP e R$ 2.917,80 em um HIS-2.

O que muda na reforma: um studio para long stay precisa aguentar vários inquilinos e anos de uso, então o projeto prioriza acabamentos duráveis, marcenaria com mais armazenamento e menos enxoval — não há troca de hóspede a cada três dias. Na base de contratos da Bewild de 2025, 4 dos 62 clientes reformaram para locação de longa duração, proporção que tende a crescer com a regra municipal. A Bewander, unidade de locação da Bwild Ventures, opera o modelo de long stay em compactos.

Caminho 2: morar

Se a sua renda familiar cabe na faixa da unidade, o studio pode ser a sua casa — e muitos compradores de HIS-2 e HMP estão exatamente nessa situação. Na base Bewild, 9 dos 62 contratos de 2025 foram reformas para moradia. O projeto muda de lógica: em vez de foto de anúncio e enxoval de hotel, entra a rotina de quem vai viver ali — bancada de trabalho, armário de verdade, cozinha para cozinhar todo dia.

Caminho 3: vender

Durante os 10 anos de vinculação, a venda tem duas travas: o preço não pode passar do teto da categoria (R$ 276.102,20, R$ 383.636,74 ou R$ 537.672,71 em 2026) e o comprador precisa comprovar renda na faixa. No HIS-1 há ainda a prioridade para famílias de programas habitacionais, com aviso público de 30 dias antes da venda. Depois dos 10 anos, a unidade é vendida como qualquer outra.

Dentro do teto, o que a reforma pode entregar é liquidez: um studio pronto, fotografável e sem pendências vende mais rápido do que um imóvel entregue no contrapiso, ainda que o preço máximo seja o mesmo.

O que muda na reforma em cada caminho?

Objetivo O que o projeto prioriza O que fica de fora
Long stay Acabamentos duráveis, marcenaria com armazenamento, cozinha completa, elétrica dimensionada para uso diário Enxoval de hotel, fechadura de hóspede, decoração de anúncio
Moradia Rotina do morador: bancada de trabalho, armários, iluminação por cena, cozinha para o dia a dia Padronização de operação
Venda Liquidez: imóvel pronto, neutro, fotografável, sem pendências Personalização que só o dono atual usaria

"Uma unidade HIS ou HMP não é um imóvel pior: é um imóvel com outro modelo de uso, e o erro está em comprá-la para um modelo que a lei não permite. Descoberto a tempo, isso muda o projeto; descoberto depois do anúncio no ar, muda o prejuízo." — Thiago Dantas, arquiteto e urbanista (CAU A162437-7), responsável técnico da Bewild.

Na Bewild, a classificação da unidade e a convenção do condomínio entram no diagnóstico gratuito antes da proposta. Se o studio for HIS ou HMP, o projeto nasce para um dos três caminhos acima — e o contrato, com preço e prazo fechados, é o mesmo de qualquer outra reforma. Se a dúvida é sobre o condomínio, e não sobre a classificação, o caminho está em condomínio pode proibir Airbnb?; os custos de cada tipo de reforma estão em quanto custa reformar um studio em São Paulo, e a comparação entre os modelos de renda, em short stay ou aluguel de longa duração.


Sobre os autores. Thiago Dantas é arquiteto e urbanista (CAU A162437-7) e responsável técnico da Bewild, marca de reforma completa da Bwild Ventures, com mais de 160 reformas de studios entregues. Pedro Alves é engenheiro civil (USP), cofundador e CEO da Bewild.

Tem um studio HIS ou HMP e quer saber o que a reforma precisa ter para o seu caminho? Solicite o diagnóstico gratuito.

Fontes: Prefeitura de São Paulo, Secretaria Municipal de Habitação, "HIS e HMP: entenda quem pode acessar os imóveis" (15/05/2026) e "Prefeitura atualiza valores de renda familiar para moradia popular" (06/01/2026); Decretos municipais 63.130/2024, 64.244/2025 e 64.895/2026; Lei 16.050/2014 (Plano Diretor Estratégico); CNN Brasil, 03/08/2026; Exame, 02/09/2026; Demarest Advogados (nota sobre o Decreto 64.244/25); Correio Braziliense, maio/2026; base de contratos Bewild (Bwild Analytics, 62 contratos fechados entre fevereiro e outubro de 2025). Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação de um advogado sobre o seu imóvel.

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