Por que dois apartamentos iguais têm reformas com preços diferentes: 198 contratos Bewild
Na mesma faixa de metragem, a metade central dos 198 contratos Bewild varia 15% a 17% até 30 m² e 33% a 34% acima disso; em 60 pares no mesmo prédio, 13 diferem mais de 20%. O texto mede a variação, abre um orçamento item a item e diz quando o mais barato é a escolha certa.

"Meu vizinho reformou um apartamento igual ao meu por R$ 70 mil. Por que o meu orçamento veio em R$ 95 mil?" Essa é uma das perguntas mais frequentes nas reuniões comerciais da Bewild, e ela costuma vir com uma desconfiança embutida: ou alguém errou a conta, ou alguém está cobrando a mais. Na maior parte das vezes, nenhuma das duas coisas. Dois apartamentos com a mesma planta, no mesmo prédio, podem ter reformas com preços 30%, 40% ou até 60% diferentes, e a diferença tem nome, linha e quantidade no orçamento.
Este texto mede essa variação em vez de só explicá-la. Usamos a planilha de 198 contratos de reforma completa fechados pela Bewild em São Paulo (extração de 27/09/2026, após 7 exclusões documentadas na seção "Como fizemos as contas"), agrupados por faixa de metragem, comparados com a conta por metro quadrado e, principalmente, confrontados dois a dois: 60 pares de contratos no mesmo empreendimento com a mesma metragem. Depois, abrimos um orçamento real item a item para mostrar de onde a diferença sai, e dizemos quando o preço mais baixo é, de fato, a melhor escolha.
A resposta curta
- Na mesma faixa de metragem, a metade central dos contratos varia de 15% a 17% até 30 m² e de 33% a 34% acima de 30 m². Em 25 a 30 m² (102 contratos), metade ficou entre R$ 66.051 e R$ 77.110, mediana de R$ 71.432; o mais caro custou 2,3 vezes o mais barato.
- Mesmo prédio, mesma planta: em 60 pares de contratos, 14 tiveram preço idêntico, 34 ficaram a até 10% um do outro e 13 (22%) diferiram mais de 20%. A maior diferença foi de 66%: R$ 73.000 e R$ 121.000 em dois apartamentos de 31 m² no mesmo edifício.
- A conta por m² (R$ 17.055 fixos + R$ 2.245 por m²) acerta com erro de até 20% em 75% dos contratos. Os 19 contratos que ficam mais de 30% acima dela são os de escopo ampliado, não erro de cálculo.
- Três linhas explicam a maior parte da diferença: marcenaria sob medida (33,9% de um orçamento real de 24 m²), eletrodomésticos (13,5%) e infraestrutura com acabamentos (18,0%). Projeto, gestão de obra e documentação (23%) variam pouco entre apartamentos iguais.
- 1 em cada 5 contratos (42 de 198) é um pacote fechado de projeto padrão para studio, com valores exatos de R$ 71.432, R$ 65.000 ou R$ 75.000. Os outros 156 têm valor próprio, montado item a item.
- Quando o orçamento mais barato é a resposta certa: imóvel para locação de longa duração sem marcenaria extra, dono que vai manter a bancada e os eletros da construtora, ou unidade em que o projeto padrão já resolve o layout. Prazo de obra no contrato Bewild: 60 dias úteis até 30 m², até 75 em plantas maiores.
O que é "reforma completa" e por que o preço por m² não fecha a conta
Neste texto, reforma completa é o que todos os 198 contratos entregam: projeto de arquitetura e projeto executivo, obra civil (elétrica, hidráulica, piso, forro, pintura), marcenaria sob medida, mobiliário, eletrodomésticos e instalação, num único contrato com preço fechado antes de a obra começar. Quando a comparação é com orçamentos de outras empresas, confira primeiro se o escopo é esse; na maior parte das tabelas publicadas, marcenaria e mobília ficam de fora, e é aí que começa a primeira "diferença" de preço, que na verdade é diferença de produto. O detalhe está em o que está incluso no orçamento de reforma.
O mercado resume o custo de reforma num preço por metro quadrado. O Custo Unitário Básico (CUB, publicado todo mês pelo Sinduscon-SP) de setembro de 2026 para residência de padrão normal é de R$ 2.238,58/m², e as tabelas editoriais de 2026 trazem faixas de R$ 1.500 a R$ 3.500/m² (Lar Pontual, atualizado em 21/07/2026) ou de R$ 500 a R$ 4.000/m² (Meutudo, 09/01/2026). O Índice Bewild de custo de reforma dá R$ 2.744/m² na mediana de 188 contratos. Todos esses números são úteis para uma ordem de grandeza e inúteis para uma decisão: numa faixa de R$ 1.500 a R$ 3.500/m², um apartamento de 40 m² custa entre R$ 60 mil e R$ 140 mil. Ninguém reserva dinheiro com essa precisão.
Três termos que vão aparecer: mediana é o valor do meio, metade dos contratos custou menos e metade custou mais; quartis (Q1 e Q3) delimitam a metade central, os 50% de contratos entre o quarto mais barato e o quarto mais caro; P10 e P90 são os limites dos 80% centrais, deixando de fora os 10% mais baratos e os 10% mais caros. Quando dizemos que "a metade central varia 17%", estamos dizendo que Q3 é 17% maior que Q1. Siglas: RRT é o Registro de Responsabilidade Técnica do arquiteto (CAU); ART, a Anotação de Responsabilidade Técnica do engenheiro (CREA); NBR 16280 é a norma da ABNT que exige plano de reforma com responsável técnico em edificações; INCC-M é o Índice Nacional de Custo da Construção da FGV, que subiu 6,75% nos 12 meses até outubro de 2026.
Quanto o preço varia dentro da mesma metragem
Leitura do dado (tabela abaixo): até 30 m², a reforma completa é um produto previsível. Em 25 a 30 m², a faixa com mais contratos (102), metade dos clientes pagou entre R$ 66.051 e R$ 77.110, uma diferença de 17% entre o quarto mais barato e o quarto mais caro. Em 21 a 25 m², 15%. Em até 21 m², 17%. Acima de 30 m² a história muda: a metade central abre para 34% (30 a 35 m²) e 33% (35 a 45 m²), e os 80% centrais vão de R$ 77.000 a R$ 144.302 na faixa de 35 a 45 m². Não é só a metragem que cresce; é o número de decisões. Um apartamento de 40 m² tem quarto separado, cozinha maior, às vezes dois banheiros e uma varanda que o dono quer integrar ou não. Cada uma dessas decisões abre ou fecha R$ 5 mil a R$ 20 mil.
| Faixa | Contratos | Mediana | Metade central (Q1–Q3) | Q3 ÷ Q1 | Máximo ÷ mínimo | Dentro de ±10% da mediana |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Até 21 m² | 27 | R$ 75.000 | R$ 68.512 a R$ 80.280 | 1,17 | 1,75 | 56% |
| 21 a 25 m² | 31 | R$ 65.000 | R$ 62.569 a R$ 71.920 | 1,15 | 1,58 | 68% |
| 25 a 30 m² | 102 | R$ 71.432 | R$ 66.051 a R$ 77.110 | 1,17 | 2,31 | 66% |
| 30 a 35 m² | 13 | R$ 89.234 | R$ 74.999 a R$ 100.364 | 1,34 | 1,73 | 31% |
| 35 a 45 m² | 23 | R$ 108.731 | R$ 99.000 a R$ 132.108 | 1,33 | 2,65 | 48% |
A última coluna é a que mais interessa a quem vai pedir orçamento: até 30 m², dois em cada três contratos ficam a até 10% da mediana da faixa. Ou seja, se o seu orçamento de 27 m² veio em R$ 71 mil, você está no meio da distribuição; se veio em R$ 95 mil, você está entre os 10% mais caros e vale perguntar o que entrou a mais. Acima de 30 m², só um em cada três fica perto da mediana, e a pergunta deixa de ser "está caro?" para ser "o que eu escolhi?".
A distribuição completa em 25 a 30 m²
| Valor do contrato | Contratos | Participação |
|---|---|---|
| R$ 50 a 60 mil | 3 | 3% |
| R$ 60 a 70 mil | 37 | 36% |
| R$ 70 a 80 mil | 39 | 38% |
| R$ 80 a 90 mil | 11 | 11% |
| R$ 90 a 100 mil | 7 | 7% |
| R$ 100 a 110 mil | 3 | 3% |
| R$ 110 a 120 mil | 1 | 1% |
| R$ 120 a 130 mil | 1 | 1% |
Leitura do dado: a distribuição tem um corpo e uma cauda. O corpo são os 76 contratos (75%) entre R$ 60 mil e R$ 80 mil, onde ficam o projeto padrão para studio e as personalizações pequenas (uma bancada a mais, um espelho, uma cor de marcenaria fora da linha). A cauda são os 23 contratos de R$ 80 mil para cima, e ela é longa: vai até R$ 127.571 num apartamento de 28 m², que custou 2,3 vezes o mais barato da mesma faixa (R$ 55.278, 26 m²). Entre esses dois extremos não há erro de ninguém; há um orçamento próximo do projeto padrão e outro com uma lista bem maior, e a seção sobre o orçamento item a item mostra em que linhas essa lista cresce. A cauda é o que faz a média (R$ 74 mil) ser maior que a mediana (R$ 71.432), e é por isso que usamos mediana.
A conta por m² erra quanto?
Ajustamos uma reta aos 198 contratos: R$ 17.055 fixos + R$ 2.245 por m². A parcela fixa é o que não encolhe com a planta (projeto, responsável técnico, mobilização, parte da infraestrutura e dos eletrodomésticos); a parcela por m² é o que cresce com ela (piso, pintura, marcenaria, forro). A mesma reta foi usada nos textos sobre reforma de apartamento de 2 dormitórios e sobre quanto gastar na reforma em relação ao valor do imóvel. A pergunta aqui é outra: quando essa conta é aplicada a cada contrato, quanto ela erra?
| Desvio em relação à conta por m² | Contratos | Acumulado |
|---|---|---|
| Mais de 20% abaixo | 18 | 9% |
| 20% a 10% abaixo | 47 | 33% |
| Até 10% abaixo | 55 | 61% |
| Até 10% acima | 27 | 74% |
| 10% a 20% acima | 20 | 84% |
| 20% a 30% acima | 12 | 90% |
| Mais de 30% acima | 19 | 100% |
Leitura do dado: a conta por m² erra até 10% em 82 contratos (41%), até 15% em 117 (59%) e até 20% em 149 (75%). Ela é uma boa ferramenta para reservar dinheiro e uma ferramenta ruim para julgar um orçamento. Repare na assimetria: a mediana dos desvios é −5%, ou seja, a maioria dos contratos fica um pouco abaixo da reta, puxada pelos pacotes de projeto padrão; e a cauda da direita é mais longa que a da esquerda (19 contratos mais de 30% acima contra 18 mais de 20% abaixo). O preço de uma reforma tem um piso, definido pelo que é obrigatório para entregar o apartamento habitável, e não tem teto. Dentro da base, a reta erra mais nos apartamentos maiores: a até 15% ela acerta 61% dos contratos até 30 m² e 53% dos contratos acima de 30 m².
O teste mais duro: mesmo prédio, mesma planta
Metragem e bairro explicam parte da variação. Para isolar o que sobra, fomos aos pares: contratos no mesmo empreendimento, com metragem igual ou diferença de até 1 m². Mesma planta, mesma construtora, mesmo memorial descritivo de entrega, mesma logística de condomínio, mesmo custo de mão de obra, em geral com meses de diferença entre um contrato e outro. Encontramos 60 pares.
| Diferença entre os dois contratos | Pares | Participação |
|---|---|---|
| Preço idêntico | 14 | 23% |
| Até 10% | 20 | 33% |
| 10% a 20% | 13 | 22% |
| Mais de 20% | 13 | 22% |
Leitura do dado: em 34 dos 60 pares (57%), a diferença é de até 10%, e em 14 deles o preço é exatamente o mesmo, porque os dois donos escolheram o mesmo projeto padrão. Nos outros 26 pares, a mesma planta gerou contratos 10% a 66% diferentes. A tabela mostra os maiores casos.
| Empreendimento (bairro) | Metragem | Contrato mais barato | Contrato mais caro | Diferença |
|---|---|---|---|---|
| Exalt Ibirapuera (Vila Clementino) | 31,4 e 31,6 m² | R$ 73.000 | R$ 121.000 | 66% |
| Urban Flex (Consolação) | 39,9 e 40,8 m² | R$ 96.289 | R$ 141.769 | 47% |
| Nex One Jurupis (Moema) | 29,4 e 30 m² | R$ 62.000 | R$ 88.536 | 43% |
| Urban Flex (Consolação) | 40,1 e 40,8 m² | R$ 100.000 | R$ 141.769 | 42% |
| Nex One Pereira Coutinho (Vila Nova Conceição) | 26,9 e 27 m² | R$ 67.000 | R$ 90.432 | 35% |
| Do It Pinheiros (Pinheiros) | 26 m² | R$ 55.278 | R$ 71.432 | 29% |
No par do Exalt Ibirapuera, os dois apartamentos têm a mesma planta de 31 m² e foram entregues pela mesma construtora, com o mesmo memorial. A planilha não registra o que cada dono pediu; o que ela mostra é que o preço maior não foi um erro do menor, nem o contrário: foram duas listas diferentes para a mesma parede, e a seção seguinte mostra em que linhas do orçamento uma lista se afasta da outra. A mesma lógica aparece nos 22 contratos do Urban Flex, de 17 a 41 m², que vão de R$ 70.254 a R$ 141.769 e que detalhamos em reforma de studio por empreendimento.
De onde sai a diferença: um orçamento aberto item a item
Para saber o que muda de um orçamento para outro, é preciso ver como um orçamento se divide. Publicamos em outubro um orçamento real de 24 m², com 50 itens, feito em maio de 2026 para locação por temporada: R$ 67.191 no total. A divisão por grupo é esta.
| Grupo | Valor | Participação |
|---|---|---|
| Marcenaria sob medida | R$ 22.790 | 33,9% |
| Administração e gestão de obra | R$ 12.531 | 18,6% |
| Infraestrutura, adequações civis e acabamentos | R$ 12.072 | 18,0% |
| Eletrodomésticos | R$ 9.058 | 13,5% |
| Mobiliário | R$ 3.520 | 5,2% |
| Arquitetura e documentação | R$ 2.956 | 4,4% |
| Luminárias e acessórios | R$ 2.477 | 3,7% |
| Vidraçaria | R$ 1.788 | 2,7% |
Leitura do dado: os grupos se dividem em dois tipos. Os que quase não mudam entre apartamentos iguais: arquitetura e documentação (4,4%), administração e gestão de obra (18,6%) e a parte obrigatória da infraestrutura (elétrica, hidráulica, forro, pintura). Somados, perto de um terço do valor, e é o terço que não dá para cortar sem tirar o responsável técnico ou a gestão da obra. Os que mudam de acordo com o que o dono pede: marcenaria (33,9%), eletrodomésticos (13,5%), acabamentos (piso e revestimento dentro dos 18,0%), vidraçaria (2,7%) e mobiliário (5,2%). É neste segundo bloco, perto de dois terços do orçamento, que nascem os pares com 30%, 40% ou 66% de diferença.
| Decisão | Opção mais barata | Opção mais cara | Diferença típica (estimativa da equipe de projeto) | Onde conferir |
|---|---|---|---|---|
| Marcenaria sob medida | Projeto padrão: cabeceira, guarda-roupa, bancada de trabalho e cozinha | Marcenaria em todas as paredes, painéis, nichos, portas de correr | R$ 10 mil a R$ 30 mil | orçamento item a item |
| Bancada da cozinha | Manter a da construtora e só recortar para o cooktop (R$ 55 a R$ 65) | Trocar por granito ou quartzo (R$ 1.800 a R$ 3.000 em 1,50 a 1,80 m) | R$ 1.700 a R$ 3.000 | bancada de granito ou quartzo |
| Piso da área seca | Vinílico em régua colado (R$ 4.440 por studio na mediana) | Porcelanato (R$ 403 a R$ 518 por m² instalado) | R$ 4 mil a R$ 8 mil em 25 m² | vinílico ou porcelanato |
| Varanda | Manter aberta | Envidraçar (R$ 800 por m² na mediana, R$ 5.623 numa sacada de 7 m²) e integrar à sala | R$ 6 mil a R$ 12 mil | envidraçamento de sacada |
| Eletrodomésticos | Linha de entrada: cooktop de 2 zonas, micro-ondas de 20 L, frigobar | Linha superior: cooktop de 4 zonas, forno embutido, geladeira inverter, lava e seca | R$ 4 mil a R$ 10 mil | o que vem no apartamento novo |
| Ar-condicionado | Split de 9.000 BTU/h instalado na infraestrutura existente | 12.000 a 18.000 BTU/h com infraestrutura nova e caixa de vidro na sacada (R$ 1.000 a R$ 1.800) | R$ 1.500 a R$ 4 mil | BTU por metragem |
Somando a coluna de diferença, as seis decisões da tabela movem, pela estimativa da equipe de projeto, de R$ 27 mil a R$ 67 mil num apartamento de 25 a 40 m². É exatamente a distância entre R$ 73.000 e R$ 121.000 do par do Exalt Ibirapuera, ou entre R$ 96.289 e R$ 141.769 no Urban Flex. A variação não é ruído; é a soma de escolhas, cada uma com preço conhecido antes de assinar.
Os pacotes: quando o preço é igual porque o pedido é igual
| Valor do contrato | Contratos | Participação |
|---|---|---|
| R$ 71.432 | 15 | 8% |
| R$ 65.000 | 14 | 7% |
| R$ 75.000 | 13 | 7% |
| R$ 73.000 | 4 | 2% |
| R$ 67.000 | 4 | 2% |
Leitura do dado: R$ 71.432 aparece em 15 contratos, R$ 65.000 em 14 e R$ 75.000 em 13. Juntos, 42 contratos, 21% da base, com o mesmo valor ao centavo. Não é coincidência: são as versões do projeto padrão para studio da Bewild, com a lista de itens fechada (cabeceira, guarda-roupa, bancada de trabalho, cozinha, piso vinílico, box, espelhos, eletrodomésticos de entrada, enxoval básico), que o dono escolhe quando o objetivo é locação e não há pedido especial. O valor mudou ao longo do tempo, de R$ 65.000 para R$ 71.432 e R$ 75.000, acompanhando o custo de material e mão de obra, que o INCC-M mede em 6,75% nos 12 meses até outubro de 2026. Os outros 156 contratos (79%) têm valor próprio, e é entre eles que a dispersão existe.
Isso explica os 14 pares idênticos da tabela de pares: duas unidades no mesmo prédio, dois donos que escolheram o mesmo pacote. E explica por que a faixa de 21 a 25 m² tem a menor variação da base (Q3 ÷ Q1 de 1,15): é onde o projeto padrão resolve quase tudo e as personalizações são pequenas.
Como são os apartamentos de cada ponta
As imagens abaixo são projetos reais da Bewild, nos empreendimentos citados nos pares, com a mediana da faixa de metragem na legenda. Os valores individuais de cada contrato não aparecem por respeito aos clientes; o que muda de um para outro está descrito nas páginas de cada projeto.








Quando o orçamento mais barato é a resposta certa
Nem toda diferença de preço vale a pena pagar, e há casos em que a Bewild recomenda o orçamento menor, ou nenhum orçamento.
Locação de longa duração sem marcenaria extra. Para quem vai alugar por contrato de 30 meses, o inquilino traz os próprios móveis. Marcenaria em todas as paredes, eletrodomésticos de linha superior e integração de varanda não mudam o aluguel na proporção do que custam: o aluguel residencial médio em São Paulo era de R$ 65,78/m² em setembro de 2026 (FipeZap), e esse valor não dobra porque a cozinha ficou mais bonita. Nesse caso, o projeto padrão ou um escopo próximo dele é a escolha certa, e o texto sobre reformar para vender ou alugar faz essa conta.
Dono que vai manter o que a construtora entregou. Bancada, louças, metais e esquadrias de um prédio novo costumam ser aproveitáveis. Trocar bancada boa por outra parecida custa R$ 1.800 a R$ 3.000 e não aparece na foto do anúncio nem na satisfação de quem mora. O recorte para o cooktop custa R$ 55 a R$ 65. Em 56 de 89 orçamentos com contrato fechado entre março e outubro de 2026, nenhuma pedra foi trocada.
Reforma parcial ou imóvel antigo. Se o pedido é só pintar e trocar o piso, projeto, responsável técnico e gestão de obra pesam demais no total; profissionais avulsos resolvem por menos. Se o prédio é antigo, com elétrica, hidráulica e esquadrias a refazer, a base de 198 contratos não serve de referência, porque todos são de unidades recém-entregues; o caminho está em reforma de apartamento antigo.
Quando o orçamento mais caro é o certo. Para morar, com a família, por anos, a marcenaria define o uso de cada metro, e, se o contrato de R$ 121.000 do par do Exalt Ibirapuera for o de quem vai viver no apartamento, ele pode ser o melhor negócio dos dois. A diferença de R$ 48 mil representa, pelo preço médio de venda de São Paulo em setembro de 2026 (R$ 12.206/m², FipeZap), 13% do valor de um apartamento de 31 m² (R$ 378 mil). É uma escolha que precisa estar escrita, item a item, antes do contrato.
"Quando o cliente me pergunta por que o orçamento dele é maior que o do vizinho, eu abro os dois. Quase sempre a resposta cabe em três linhas: marcenaria, eletrodomésticos e acabamento. A conta por metro quadrado serve para reservar dinheiro; o que define o preço é a lista."
— Pedro Alves, engenheiro e CEO da Bewild
Como fizemos as contas
Base. Planilha de contratos de reforma completa da Bewild em São Paulo, extraída dos contratos e projetos executivos em 27/09/2026, com 205 linhas. Exclusões (7): os 5 primeiros contratos da empresa (2023, com escopo e preço de outro momento), 1 contrato que cobre 2 unidades e 1 contrato com valor incompatível com a metragem (registro a corrigir na origem). Restam 198 contratos, de 15 a 68 m², mediana de 27 m²; os 2 contratos acima de 45 m² foram omitidos das tabelas por faixa. O Índice Bewild usa 188 desses contratos; as medianas coincidem (R$ 71.850 a R$ 72.204; R$ 2.744/m²).
Estatística. Mediana, quartis e percentis 10 e 90 por faixa de metragem; a razão Q3 ÷ Q1 mede a dispersão da metade central e não depende dos extremos. A reta R$ 17.055 + R$ 2.245/m² foi ajustada por mínimos quadrados aos 198 contratos; o desvio de cada contrato é (valor real ÷ valor da reta) − 1. Os pares foram formados entre contratos do mesmo empreendimento (nomes padronizados: Urban Flex e LM Urban Flex, Nex One e Next One, MetroCasa e Metro Casa) com diferença de metragem de até 1 m²; quando um prédio tem 3 unidades parecidas, elas formam 3 pares. A composição do orçamento vem de um único orçamento real (24 m², maio de 2026), publicado item a item; não é média da base. Os preços por item da tabela de decisões vêm dos textos publicados em outubro de 2026 a partir de 89 orçamentos com contrato fechado entre março e outubro de 2026.
Estabilidade no tempo. A planilha não registra a data de cada contrato; a ordem do número de projeto é cronológica. Os valores de pacote subiram de R$ 65.000 para R$ 71.432 e R$ 75.000 ao longo da série, o que é compatível com o INCC-M (6,75% em 12 meses até outubro de 2026, FGV). Parte da dispersão medida entre pares, portanto, é tempo, não escopo; nos 13 pares com diferença acima de 20%, a diferença é maior do que qualquer reajuste do período, e a explicação está no escopo.
Limites. A planilha traz valor, metragem e empreendimento, não a lista de itens de cada contrato; a atribuição da diferença a marcenaria, eletros e acabamento vem da leitura dos orçamentos pela equipe comercial e de projeto, não de uma coluna na base; a coluna "diferença típica" da tabela de decisões é estimativa dessa equipe a partir dos preços por item publicados, não medição estatística. Todos os contratos são de reforma completa em unidades recém-entregues; a base não representa reforma parcial nem imóvel antigo. 196 dos 198 contratos têm até 45 m²; acima disso, a variação é desconhecida. Os números do CUB, do INCC-M e do FipeZap são de fontes externas e descrevem construção nova e mercado de imóveis, não reforma.
Antes de pedir orçamento: o que decidir para comparar de verdade
- Defina o objetivo (morar, alugar por temporada ou por longa duração). É a decisão que mais muda a lista; o texto sobre reforma para morar mostra o que muda em custo e prazo.
- Decida o que fica da construtora (bancada, louças, metais, piso do banheiro). A lista do que vem instalado está em o que vem no apartamento novo.
- Liste a marcenaria por parede, não por "planejados". Cabeceira, guarda-roupa, cozinha, bancada de trabalho e painel de TV são itens com medida; é onde um terço do orçamento está.
- Escolha os eletrodomésticos por modelo, com marca escrita, e não "similar"; os 5 critérios para comparar orçamentos explicam por quê.
- Decida a varanda antes do projeto: envidraçar e integrar exige aprovação do condomínio e muda infraestrutura, piso e ar-condicionado. Regras em varanda com vidro.
- Peça o orçamento aberto por grupo, com subtotal e percentual, como em o orçamento item a item; sem isso, dois orçamentos não são comparáveis.
- Confira o que pode virar aditivo: os 5 itens que mais provocam acréscimo estão em aditivo em obra. Um orçamento 10% menor que omite um deles custa mais no fim.
O que a Bewild coloca no contrato
A Bewild é empresa de reforma de apartamento em São Paulo e faz reforma de studio em São Paulo para morar, alugar ou vender, com o dono morando em qualquer cidade. O que entra no contrato para que a variação de preço seja uma escolha do cliente, e não uma surpresa da obra:
- Orçamento item a item, agrupado, com subtotal e percentual por grupo, marca e modelo de cada eletrodoméstico, metal, louça e pedra. É o mesmo formato do orçamento publicado.
- Preço fechado antes da obra, com o escopo descrito no memorial; mudança de escopo pedida pelo cliente vira aditivo assinado, com preço antes da execução.
- Prazo de obra em dias úteis: 60 até 30 m², até 75 em plantas maiores, contados depois da liberação do condomínio, das chaves e da energia.
- Projeto com RRT do responsável técnico e plano de reforma conforme a NBR 16280, para aprovação no condomínio.
- 5 anos de garantia sobre mão de obra e marcenaria.
- Mais de 160 reformas entregues e mais de 200 projetos, todos em São Paulo capital; os projetos estão no portfólio, organizados por linha de investimento.
Sobre os autores. Pedro Alves é engenheiro e CEO da Bewild; trata imóvel como negócio e escreve a partir da base de contratos da empresa. Thiago Dantas é arquiteto e urbanista (CAU A162437-7), responsável técnico da Bewild, e assina os projetos e os planos de reforma.
Quer saber onde o seu orçamento cai nessa distribuição? Envie planta e memorial do apartamento pelo diagnóstico gratuito ou peça um orçamento: a resposta vem aberta por grupo, com o que é projeto padrão e o que é escolha sua.
Fontes: planilha de contratos de reforma completa da Bewild (extração de 27/09/2026, 198 registros após 7 exclusões); orçamento item a item de studio de 24 m² (Bewild, maio de 2026, publicado em 01/10/2026); preços por item de 89 orçamentos com contrato fechado, março a outubro de 2026 (Bewild, publicados em 18/10/2026); Sinduscon-SP, Custo Unitário Básico do Estado de São Paulo, referência setembro de 2026 (R-8 normal, R$ 2.238,58/m², sem desoneração), divulgado em 05/10/2026; FGV, INCC-M de outubro de 2026 (0,35% no mês; 6,75% em 12 meses; 6,22% no ano), divulgado em 27/10/2026; FipeZap, Índice de venda residencial de setembro de 2026 (São Paulo, R$ 12.206/m²) e de locação residencial de setembro de 2026 (São Paulo, R$ 65,78/m²); Lar Pontual, "Quanto custa reformar um apartamento", atualizado em 21/07/2026 (faixa de R$ 1.500 a R$ 3.500/m²); Meutudo, "Quanto custa reformar um apartamento em 2026?", 09/01/2026 (faixa de R$ 500 a R$ 4.000/m²); ABNT NBR 16280; Código Civil, art. 618. Os valores de contratos são históricos e descrevem o que clientes da Bewild contrataram; não são tabela de preço, promessa de valor de reforma, de valorização nem de renda de aluguel.
Perguntas frequentes
Por que o orçamento de reforma de apartamento varia tanto para a mesma metragem?
Porque a metragem define só parte do preço. Nos 198 contratos de reforma completa da Bewild, até 30 m² a metade central dos contratos varia de 15% a 17%; acima de 30 m², de 33% a 34%. O resto da diferença vem da lista: marcenaria sob medida (um terço de um orçamento real de 24 m²), eletrodomésticos (13,5%) e acabamentos, que mudam conforme o que o dono pede.
Dois apartamentos iguais no mesmo prédio podem ter reformas com preços diferentes?
Sim. Em 60 pares de contratos Bewild no mesmo empreendimento, com metragem igual ou até 1 m² de diferença, 14 tiveram preço idêntico, 34 ficaram a até 10% um do outro e 13 (22%) diferiram mais de 20%. A maior diferença foi de 66%: R$ 73.000 e R$ 121.000 em dois apartamentos de 31 m² no mesmo edifício, com listas de itens diferentes.
Quanto custa reformar um apartamento de 25 a 30 m² em São Paulo?
Nos 102 contratos Bewild de 25 a 30 m² (reforma completa, com projeto, obra, marcenaria e mobília), a mediana é R$ 71.432 e a metade central vai de R$ 66.051 a R$ 77.110. 76 contratos (75%) ficaram entre R$ 60 mil e R$ 80 mil; o mínimo foi R$ 55.278 e o máximo R$ 127.571, 2,3 vezes mais.
A conta por metro quadrado serve para calcular o preço da reforma?
Serve para reservar dinheiro, não para julgar um orçamento. A reta ajustada aos 198 contratos Bewild (R$ 17.055 fixos + R$ 2.245 por m²) acerta com erro de até 10% em 41% dos contratos, até 15% em 59% e até 20% em 75%. Os 19 contratos mais de 30% acima dela são os de escopo ampliado, não erro de cálculo.
O que mais encarece uma reforma de apartamento?
Três grupos: marcenaria sob medida (33,9% de um orçamento real de 24 m², R$ 22.790), infraestrutura com acabamentos (18,0%) e eletrodomésticos (13,5%). Entre dois apartamentos iguais, as decisões que mais movem o preço são a extensão da marcenaria, trocar ou manter a bancada (R$ 1.800 a R$ 3.000), piso vinílico ou porcelanato, envidraçar a varanda (R$ 800/m²) e a linha dos eletros.
Por que tantos contratos da Bewild têm o mesmo valor?
Porque 1 em cada 5 contratos é um pacote fechado de projeto padrão para studio: R$ 71.432 aparece em 15 contratos, R$ 65.000 em 14 e R$ 75.000 em 13, somando 42 dos 198 (21%). O pacote tem lista de itens definida, para locação, e o valor subiu ao longo do tempo com o custo de obra. Os outros 156 contratos têm valor próprio, montado item a item.
Quando vale escolher o orçamento de reforma mais barato?
Quando o imóvel vai para locação de longa duração sem marcenaria extra, quando o dono mantém bancada, louças e eletros da construtora (em 56 de 89 orçamentos de 2026 nenhuma pedra foi trocada) ou quando a reforma é parcial e projeto e gestão de obra pesariam demais. Para morar por anos, a marcenaria define o uso de cada metro e o orçamento maior pode ser o certo.
Como comparar dois orçamentos de reforma de apartamento?
Peça os dois abertos por grupo, com subtotal e percentual, marca e modelo de cada item, e compare linha a linha, não o total. Confira se marcenaria, mobília, eletrodomésticos, projeto com RRT e gestão de obra estão nos dois. Um orçamento 10% menor que omite um desses itens costuma custar mais no fim, em aditivo ou em contratação separada.
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